as m. de tirésias (t. d’apoio)

“O teatro Nunique deve ser um grande todo simultâneo, contendo todos os meios e todas as emoções capazes de comunicar aos espectadores uma vida intensa e embriagadora …”

Píerre Albert-Birot – texto completo>> aqui

Birot propõe a abolição do cenário e sua substituição pela luz:

“A luz por si só deverá ser a pintura deste teatro”

Pierre Albert-Birot

Para este homem do espectáculo do inicio do nosso século, há uma preocupação constante em apresentar propostas para um teatro novo.  Albert-Birot pensa na supressão das três unidades, propõe acolher em cena o inesperado… Esse inesperado poderia apresentar-se nas Formas mais diversas: a acrobacia, o canto, a dança e mesmo as projecções cinematográficas.  No entanto o espectáculo teatral não deixaria de o ser – apenas sugere que se introduzam efeitos surpreendentes no decorrer das acções, propondo um espectáculo onde os meios técnicos disponíveis na época fossem utilizados.

Pode dizer-se também que Pierre Albert-Birot não será apenas um pré dadaísta mas também um dos antecessores das artes multi modelares. Com efeito as propostas apresentadas por Birot no sentido da globalização das artes ou se quisermos do espectáculo total, não estão muito longe de propostas estéticas que o precedem como seja a “Performance”, a “Body Art” e outras acções multi-média surgidas a partir dos anos sessenta e setenta.

Outra das preocupações deste autor e criador teatral será o espaço, a arquitectura teatral. A proposta deste “profeta” visa um teatro circular.  O público estará. ao centro enquanto os actores evoluem numa plataforma periférica giratória.

Birot não questiona, porem, o papel do actor ou mesmo do autor e do público.

Apollinalre, que aceitou sempre de bom grado todas as propostas inovadoras, fez eco das propostas de Birot dando mesmo testemunho da sua simpatia no prólogo do seu “Les Mamelles de Tirésias”:

“A obra foi composta para um teatro antigo porque não nos construíram um teatro moderno um teatro redondo com cenário duplo um no centro e outro no anel superior à volta do público para facilitar o grande desenvolvimento da nossa arte moderna juntando sem ligação visível como acontece na vida os sons os gestos as cores os gritos os ruídos a    música a dança a acrobacia a poesia a pintura os coros as acções e os cenários duplos”

Apollinaire

A preocupação e interesse de Birot Pela experimentação de espaços plásticos (espaço-objecto ou projecto de espaço com características estéticas próximas do que hoje se chama instalação plástica ficou sobretudo demonstrada em “La Rountala” (polidrama composto entre 1917/18), no qual intervém uma multidão de personagens que se movem simultaneamente em dois espaços cenografados – um dentro do outro. No pequeno, os actores vestem trajes modernos e realistas.  Entretanto no outro, os actores envergam trajes “simbólicos” – são portadores de máscaras e por vezes estruturas em cartão (ligeiras arquitecturas com janelas que, ao abrir, permitem ao actor assomar a cabeça).

Na mesma linha de pensamento de Pierre Albert~Birot, igualmente numa atitude à margem do teatro que se produz em Paris e em Berlim, poderemos destacar um outro homem preocupado com uma nova estética: Yvan Goll.

Goll foi o fundador da revista “SURREALISME” – defendia um surrealismo inspirado directamente na definição de Apollinaire.  A revista sai um mês antes da publicação do manifesto surrealista de Breton, o resultado é catastrófico… o projecto fica completamente eclipsado.  Para Goll, o Surrealismo é a negação radical do realismo, a regra do dramaturgo surrealista será, pois, por a nu os instintos em detrimento do carácter ou da postura psicológica da personagem.  Um outro objectivo dramático de Yvan Goll é o de ridicularizar os convencionalismos – o dramaturgo deverá exprimir-se pelo humor e mostrar os múltiplos pensamentos que influenciam o homem de momento a momento.

Em 1924, Yvan Goll funda um “teatro surrealista” onde projectava representar Apollinaire, Albert-Bírot, Maiakowsky, Stramm… Porém tudo não passará de uma “bomba de fumo”, um fracasso.  A sua peça “Mathusalém ou l’Eternel Bourgeois” (l4) no entanto, virá a ser um êxito quando representada pela companhia “Le Loup Blanc”, no teatro “Michel”, a partir de 10 de Marco 1927.  Entre os actores da companhia: Jean Painlevé (filho do ministro da guerra) e Antonin Artaud.  A imprensa da época foi favorável ao espectáculo tendo-se referido com simpatia Dada e Surrealismo.

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