sobre nós

O primeiro dia

Caminhava nos finais de Setembro para a primeira aula e ocorriam-me pedaços de canções, poemas que me traziam de volta a Lisboa para onde me dirigia, ao fim de quase vinte anos.
Ao atravessar a ponte, aquele primeiro relance da cidade evocou à minha memória um trecho de José Rodrigues Miguéis que, agora, reencontro e posso transcrever: « O quadro é exactamente o mais próprio para nele se edificar um mundo à parte, duradoiro, como o sonho, e como ele vago se quiserem, mas tangível, com vida e personalidade. É Lisboa, uma realidade em si, e será preciso tê-la conhecido e vivido nela para bem a compreender e amar. Reluzente e aguado de fresco,o Tejo em frente banha os pés do anfiteatro, sob o docel do azul brunido e sem nuvens, enquanto o sol traça com minúcias de buril os perfis do Castelo, cimalhas de palácios, chaminés.»
Saí junto à Brasileira e enchi o peito.
(Perdoe-se-me este tom de primeira pessoa. A minha vinda para esta Escola foi uma escolha pessoal. Vim porque entendi que sou útil e é este o meu lugar enquanto docente…)
Encontrei-me com 18 alunos. A primeira vez – a minha e a deles. A turma do 10º ano do curso de artes do espectáculo.
Passados quase sete meses regresso a José Rodrigues Miguéis e volto a citar a sua “A escola do paraíso”: « (Pode ser que a perspectiva do tempo transforme as coisas ou as reduza a proporções mais comezinhas: o que importa é que tudo continua a ser assim, na fábrica do sonho que perdura, e de certo modo cresce connosco.) »

Fernando Rebelo

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